Você
já ficou em silêncio hoje, digamos, por pelo menos 10 minutos? É
sobre isso que gostaria de conversar hoje, esta reserva de
espaço-tempo a que consacramos em fazer nada durante o dia. E
quando digo «nada», não estou falando de dormir senhoras e
senhores. Pode parecer também paradoxal a dupla fazer-nada sendo que
o verbo fazer indica uma ação e o substantivo nada indica falta de
ação ou materialidade. Então como seria, eu vos pergunto, se
dedicar um pouco em agir na ausência?
Diante
desta pergunta, me veio a inversão dos termos e coloco pra vocês:
como seria então deixar a ausência agir? Estamos sempre inclinados
a preencher e ser preenchidos por ocupações, de maior ou menor
relevância, para não deixar essa ausência falar? Acredito que
através da experiência, podemos, cada um, ampliar nossa
disponibilidade de escuta. Acredito que quando estamos em silêncio,
o vazio é um preenchimento lindo de conexões. Então, vocês podem
concluir, o vazio não existe, o nada não existe da forma como
imaginamos. Se pensarmos o vazio como uma possibilidade, ele não
pode ser concreto, ele não pode ser fechado, o vazio é aberto. O
vazio é um espaço aberto.
Na
minha pratica, sempre proponho aos «movedores» de realizarem as
atividades em silêncio, de estarem presentes em toda extensão do
movimento. No Yoga este entendimento possibilita ao ser-humano maior
segurança e clareza nas suas ações como um todo.
Proponho
uma experiência: retire-se um momento no seu dia, num espaço de
conforto e aonde não possa ser importunado, e fique em silêncio,
tentando não se concentrar nos seus pensamentos, não julgar as
idéias que vêm, nem deixando a primeira dificuldade lhe frear.
Escute sua respiração e as batidas do seu coração. Se quiser,
podemos trocar as experiências depois.
«Nada
me pareceu tão útil ao homem como o silêncio e a lentidão. Por
isso os tenho honrado sempre como deuses por demais esquecidos»
Antoine de Saint-Exupéry, do livro Cidadela.
Para quem
desejar, estou disponível para uma orientação-atendimento
individual. Mais informações abaixo.
Até!