“ O limite se abre violentamente para o ilimitado; ele encontra-se como que arrebatado de repente pelo conteudo que rejeita e definido por esta plenitude estrangeira que o invade até o coração. A transgressão carrega o limite até o limite de seu ser (...).” (Michel Foucault)
Decidi começar o primeiro post deste jornalzinho virtual com este trecho do Foucault do texto “Préfaces à la transgression” (Pref’acios à transgressão). Eu o encontrei por acaso num livro que em francês se chama “L’interdit et la transgression” (O proibido e a transgressão), de artigos sobre o tema.
Vocês podem estar se perguntando “mas o que isso tem em comum com a proposta do blog e, consequentemente , com o meu trabalho?”. Então vamos la. Desde que comecei a trabalhar com praticas somaticas e dinâmicas corporais, fui percebendo como é possivel redimensionar conteudos que, aparamentemente, se apresentam fixos no nosso entendimento psico-fisico. Estes conteudos vão de simples habitos comportamentais a traumas mais complexos posturais. Nos não iremos enumerar todas as possibilidades de conteudos a serem trabalhados. O interesse desta postagem sendo outra, nos limitaremos aqui a um convite à reflexão. Um trabalho com o corpo é um trabalho fora do corpo também, isto é, uma exploração de limites, uma investigação sobre como nos vemos e ao mundo. Dessa forma, nos importa pensar a transgressão em termos muito menores ao que nos acostumamos a pensar. A transgressão, neste caso, pode ser inserida como uma pratica de quebra de referências e padrões para uma abertura da visão micro e macro sobre nossas ações no mundo.
Mas como? “ Arrebatado de repente pelo conteudo que rejeita e definido por esta plenitude estrangeira que o invade até o coração”. Quando nos movemos ativando um estado de presença sem julgamentos, a partir de um trabalho de respiração e escuta, nosso corpo se disponibiliza também em mover os sentidos e, desta forma, nossos conteudos e nossas fronteiras.
A transgressão nada mais é então que a afirmação dessa possibilidade: o deslocamento dos limites e a ampliação de espaços sensoriais e musculares. Se for preciso traduzir isso para outros termos, eu diria que o maior beneficio é o bem-estar em si e com o outro, deixando cada um crescer no seu “cada um” se respeitando, se questionando, se acalmando, se conhecendo... num crescente infinito.
Vamos nos construir juntos?
Deixo vocês com essa imagem linda de um trabalho de Tatiana Parcero
Até breve!

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